Tratamento Bruxismo e Briquismo

Tratamento Bruxismo e Briquismo

O ranger de dentes, o chamado bruxismo / briquismo, principalmente durante o sono, é frequente em adultos e crianças e tem graves consequências. Além do desgaste e amolecimento dos dentes, a dor de cabeça é o sintoma mais comum desse problema. Outros sintomas do bruxismo são dor e zumbido no ouvido, dor no pescoço, na mandíbula e nos músculos da face por causa do esforço realizado pelos músculos da mastigação, estalos ao abrir e fechar a boca e alterações do sono. Como identificar essa disfunção e quais são seus tratamentos:

O que é o bruxismo?
É o ato involuntário de promover movimentos com a boca durante a noite. Em outras palavras, é uma desordem funcional que se caracteriza pelo ranger ou apertar dos dentes durante o sono. Geralmente, estes movimentos provocam atritos entre os dentes o que pode gerar desgastes nas coroas dentárias. Além disso, podem aparecer outros sintomas tais como cefaléia (dor de cabeça), dores na face e nas articulações e dores dentárias. Em outras situações o bruxismo pode ser o ato de promover o apertamento forçado dos dentes, o que gera dor muscular e dores na face. Trata-se, de alteração psíquica dos pacientes. É considerado um dos problemas odontológicos de difícil tratamento por não ter uma causa específica.

Se ao acordar, os músculos da sua mandíbula estiverem doloridos ou com dor de cabeça, você pode estar sofrendo de bruxismo – um ranger ou um forte apertar dos dentes. O bruxismo pode fazer os dentes ficarem doloridos ou soltos, e, às vezes, partes dos dentes são literalmente desgastados. Eventualmente, o bruxismo pode acarretar a destruição do osso circunvizinho e do tecido da gengiva. O Bruxismo também pode levar a problemas que envolvam a articulação da mandíbula, como síndrome da articulação têmporo-mandibular (ATM).

s
O bruxismo, por ser uma alteração psíquica, pode aparecer em qualquer idade. A princípio, desde crianças até idosos podem ter bruxismo. É importante o diagnóstico precoce para instalação imediata do tratamento adequado. Possivelmente, a disfunção está ligada a fatores genéticos, a situações de estresse, tensão, ansiedade, ou a problemas físicos de oclusão ou fechamento inadequado da boca, por exemplo.

Não se sabe exatamente quais os motivos, mas o bruxismo acomete 15% das crianças e afeta indistintamente homens e mulheres. A incidência tende a diminuir com o passar dos anos. A disfunção atinge pelo menos 30% dos brasileiros durante o sono (Fonte OMS, 2014). Quando o problema se manifesta durante o dia, recebe o nome especial de briquismo, podendo ter diversas causas, que vão desde a presença de distúrbios neurológicos, como o mal de Parkinson, até os distúrbios do sono, como a apneia e o ronco.

Quando surge o botox como arma contra o bruxismo?
A toxina botulínica surgiu nos tratamentos estéticos para retardar o surgimento de marcas de expressão, mas nos dois últimos anos tem conquistado espaço para diminuir dores provenientes do apertamento dentário (bruxismo), aliviando as dores de cabeça e relaxando os músculos da face. Nesses casos, a toxina botulínica é aplicada em pontos localizados nos músculos temporal anterior e masseter, na mandíbula. O botox age no neurônio motor impedindo a liberação de acetilcolina, que é a substância que promove a contração da musculatura. Quando aplicada nos músculos mastigatórios, a toxina botulínica impede a contração, que ocasiona o ranger dos dentes.

Apesar de mostrar resultados satisfatórios, a aplicação do botox não garante a cura e, sim, apenas o controle do quadro – que pode ocasionar desgaste e quebra dos dentes. Por isso, o tratamento com a toxina botulínica deve ser usado para reduzir a força de contração muscular, sendo aliado às placas de mordida e a correção da mordida.

Como o tratamento com o botox funciona na prática?
A toxina botulínica interfere diretamente no funcionamento dos músculos, realizando a inibição da contração muscular. Quando ela é aplicada por dentistas na região dos músculos da mastigação, que são os mesmos responsáveis pela contração involuntária (bruxismo), estes são bloqueados. Desta forma, mesmo que haja tensão, estresse e alterações psíquicas (causas comuns do bruxismo), o músculo, bloqueado pelo Botox, não consegue contrair de forma involuntária durante o sono.

O dentista realiza o diagnóstico, planejamento e indicação do tratamento. As aplicações da droga são feitas em um único atendimento. Os efeitos iniciais podem ser percebidos cerca de 48 horas após as aplicações, tendo o efeito pleno cerca de 03 semanas após as infiltrações. O tempo de permanência da toxina no organismo depende de diversos fatores, mas em média a duração da ação é de cerca de 06 meses. Sendo os seus efeitos lentamente neutralizados pelo organismo ao final de 08 meses. Desta forma, indica-se a renovação das aplicações a cada período de 06 meses para que os efeitos possam ser mantidos, dependendo de cada indicação.

Do ponto de vista científico, o que já pode ser dito sobre o êxito desse procedimento?
Em Março de 2014, o CFO (Conselho Federal de Odontologia) conferiu autorização legal para que os dentistas, com formação específica, pudessem adotar esta nova terapia. Portanto, problemas funcionais e alterações estéticas da face podem ser tratadas por este profissional. Além do tratamento do Bruxismo, o Botox também pode ser utilizado na abordagem terapêutica das dores faciais, no tratamento de pacientes edêntulos, para instalação de implantes dentários, e nos chamados “sorrisos gengivais”.

Todas as pessoas com bruxismo podem fazer botox? Se não, por quê?
Não há restrição entre os pacientes que têm bruxismo. Existem restrições do ponto de vista orgânico sistêmico, como pacientes que apresentem histórico de hipersensibilidade e em áreas inflamatórias.

Mal utilizada, a toxina botulínica pode comprometer a expressão facial de uma pessoa. Dependendo do ângulo da sobrancelha, do peso da pálpebra, do formato do olho, ela fica sem as rugas, mas também sem movimento facial algum, com um rosto artificial. Pessoas que trabalham com a expressão facial, como os atores e cantores, devem evitar a utilização dessa terapia estética, por causa desse efeito.

Além de levar em conta o formato do rosto do paciente e a adequação da terapia, o dentista deve conhecer muito bem a anatomia muscular do rosto e as zonas de perigo, como são chamadas as regiões de risco para aplicação do botox.